[APERTEM OS CINTOS. OS PILOTOS SUMIRAM!]

APERTEM OS CINTOS. OS PILOTOS SUMIRAM!

PILOTO E COPILOTO ESTÃO FORA DA CABINE DE COMANDO EM PLENO VOO COM A PORTA DA CABINE TRANCADA. O AVIÃO, PRÓXIMO AO PONTO IDEAL DE DESCIDA, ESTÁ NAS “MÃOS” DO PILOTO AUTOMÁTICO. UMA PEQUENA TURBULÊNCIA BALANÇOU A AERONAVE. ISTO PODE DESACOPLAR O PILOTO AUTOMÁTICO E A AERONAVE PASSARÁ A VOAR SEM LEME E SEM DIREÇÃO. AMBOS PRECISAM ENTRAR URGENTEMENTE, MAS, INCRIVELMENTE, A PORTA ESTÁ FECHADA E LACRADA POR DENTRO.

FICÇÃO OU REALIDADE?  APERTEM OS CINTOS... O PILOTO SUMIU!

  

SIMONE - LINDA LOIRA DE OLHOS VERDES - FEZ COM QUE UM PILOTO PERDESSE A CABEÇA E O COMANDO DA AERONAVE.

 

PILOTO E COPILOTO ESTÃO FORA DA CABINE DE COMANDO EM PLENO VOO COM A PORTA DA CABINE TRANCADA. O AVIÃO, PRÓXIMO AO PONTO IDEAL DE DESCIDA, ESTÁ NAS “MÃOS” DO PILOTO AUTOMÁTICO.  UMA PEQUENA TURBULÊNCIA BALANÇOU A AERONAVE. ISTO PODE DESACOPLAR O PILOTO AUTOMÁTICO E A AERONAVE PASSARÁ A VOAR SEM LEME E SEM DIREÇÃO. AMBOS PRECISAM ENTRAR URGENTEMENTE, MAS, INCRIVELMENTE, A PORTA ESTÁ FECHADA E LACRADA POR DENTRO.

Comandante e copiloto já estão na cabine de comando quando a comissária chefe se apresenta e o comandante não acredita no que vê: Simone está de volta! A última vez que a viu ele era copiloto de outra grande empresa aérea, ela uma iniciante comissária. Dez anos se passaram e ele jamais teve sequer uma notícia dela; ouvira que tinha abandonado a atividade aérea. De repente aparece no voo! Inacreditável! Melhor ainda! Ambos solteiros. O momento está incrível!

Ele e a mulher de seus sonhos, a única que amou; na verdade nunca deixou de amá-la. Sonhos fictícios e sonhos reais, pois muitas noites a vê em seus sonhos com quem conversa, com quem comunga, com quem... Mas um dia ela desapareceu e nunca mais se encontraram nas aerrovias da vida. De repente ela reaparece na porta da cabine de comando e se apresenta como chefe dos comissários.  Coisas da vida, coisas de pesadelo, coisas de sonho, pois ele realmente havia sonhado com essa cena. Mas seus sonhos tinham um misto de ficção e realidade, pois neles ele a via da mesma maneira que a viu pela última vez: uniforme azul com um esquisito adereço na cabeça. Agora Simone está dez anos mais linda. Era jovem, agora mulher. E que mulher! Jura que sonhava por esse encontro! Sonhava mesmo! Realizam as formalidades necessárias e preparam-se para a partida. No passado, sua timidez, fez com que escapasse a mulher de seus sonhos.

Aeronave, após decolar de congestionado espaço aéreo, acaba de se estabilizar no nível de cruzeiro. Voo reto e nivelado, tempo estável, piloto automático no comando, piloto em comando fora da cabine. A emoção, a paixão, o amor supera a razão e desobedece à importante regra de segurança ao sair da cabine. 

Depois de um procedimento de subida tenebroso devido às nuvens instáveis e infinitas instruções de desvios das formações pelo controle de aproximação, a aeronave encontra-se agora em uma situação bem mais tranquila.  

Mas Simone, loira de olhos verdes é encantadora, inteligente, parece que é mais inteligente agora. O breve bate-papo transforma-se em longa e agradável conversa. O comandante se sente acima das nuvens com a linda loira. Queria recuperar todo o tempo perdido, queria iniciar um encontro infinito. Não queria nem podia esperar outra oportunidade. 

Na cabine o jovem copiloto. Havia tomado muito líquido antes de decolar, sucos, água, refrigerante devido o pesado trânsito e o terrível calor antes de chegar ao aeroporto. Agora sofre as consequências. A bexiga parece que vai estourar retirando todo o excesso de líquido a bordo. O comandante deve voltar logo pensa ele equivocadamente. Precisa ir ao toalete. Agora é urgente. Não pôde ir ao banheiro antes do voo, pois se atrasaria para a apresentação do voo.

No entanto o copiloto resolve quebrar uma das regras de segurança e sai da cabine com o objetivo de uma rápida saidinha para o toalete. Alivia-se de forma reconfortante e prazerosa, mas ao retornar a cabine percebe que cometeu um enorme papelão que se torna um drama. O alívio anterior transforma-se em fortes dores de cabeça e de barriga. Ao se dirigir ao toalete, saiu da cabine de comando apressadamente, fechou, sem perceber, a porta da cabine de comando que se trancou pela trava interna. 

Neste momento uma das comissárias corre até a cauda da cabine de passageiros, onde se encontram comandante e Simone numa tranquila conversa e, quase sem fôlego, avisa que a porta da cabine de comando está lacrada por dentro.  O comandante não entendendo o desespero da novata aponta no sentido do nariz do avião alertando que o copiloto está lá dentro. Desespero mesmo quando a comissária apontou o copiloto pelo lado de fora e a porta fechada. Simone e o comandante iniciam uma corrida pelo corredor em direção à cabine de comando. O comandante percebe que a manobra não é nada boa para os passageiros que começam a ficar espantados com a corrida. Para de correr, mas não consegue alertar Simone para o vexame que estão provocando. Ele anda, mas seu coração dispara, voa. Simone chega ofegante, não consegue falar, respirar; alguns passageiros percebem que há algo de errado. Puxam a cortina próxima a cabine de comando e se isolam dos passageiros.

Depois do onze de setembro houve uma mudança no procedimento; a porta da cabine de comando se tranca internamente e só abre por dentro ou, por fora, com a senha que é de conhecimento exclusivo do chefe dos comissários.

Ao chegar à frente, o comandante olha com um olhar penetrante deixando o copiloto sem palavras. As outras comissárias estão todas a frente e desesperadas com a situação.  Simone tenta inserir o código pela primeira vez, o nervosismo a faz confundir: erra o código.  A aeronave sofre um grande solavanco; trata-se de uma área turbulenta.  Toda a tripulação se estremece, pois turbulências podem desacoplar o piloto automático e nesse caso os pilotos não estão a bordo para assumirem o comando e a aeronave poderá perder altitude, entrar em curvas, perder o controle...

Simone tenta pela segunda vez... outro solavanco... agora não passaram por turbulência, mas o novo  erro  faz seus corações pularem.

Mais uma chance. Um possível terceiro erro fará com que o sistema não aceite mais nenhum código certo ou errado.  Last chance. Último lance. Última bala! Todos a bordo podem...

 Pelo lado de fora da cabine, a tripulação escuta a chamada dos controladores:

“... confirme se está no ponto ideal de descida? ...”

O controlador não ouve resposta e indaga novamente:

“... confirme se está pronta para início da descida? ...”

 

O comandante fica aflito e pensa num possível acidente. Autoridades aeronáuticas tentando explicar o inexplicável. Falsos peritos na mídia emitindo contraditórios pareceres técnicos. Seria mais um intrigante e inexplicável acidente? Terrorismo? Perda de controle? Perda de contato? Falha no sistema de... Aqueles barbudos passageiros sentados ao fundo seriam alvos de grandes especulações sobre as causas do acidente. A queda da aeronave que sobrevoa congestionado espaço aéreo pode provocar um acidente aéreo de dimensões incalculáveis colidindo outras aeronaves sobre uma das maiores e mais populosas capital do mundo.

Simone tentará novamente... O comandante sabe que não está no comando da situação. Aproxima-se de Simone e, olho no olho, tenta acalmá-la. Tenta agora eliminar a emoção para deixar reinar a razão. Sonhou tanto para que esse momento com sua amada se tornasse realidade, mas agora quer que essa realidade, esse pesadelo, seja um sonho.  

Com sua voz em tom claro e cortês, precisa ser terno e retirar todo autoritarismo que sua função pode representar e diz a sua amada:

 - De sua memória depende a vida de todos que estão a bordo.

 

 O copiloto aprecia com temor os brancos da linda comissária. Com mais de 1,80m, forte lutador de artes marciais, sente-se totalmente impotente.

Simone aproxima-se do teclado... estão a 33.000 pés (11.000m)... o ar rarefeito externo iguala-se ao ar da pressurizada cabine de passageiros... ninguém da tripulação consegue respirar. 

Ouvem novamente a voz do controlador

“...confirme se estão na escuta do centro de controle...”

Simone tem dúvidas sobre o último dígito: 7 ou 9?  Mais um solavanco... outro mais intenso agora...uma terceira sacudida... será turbulência de céu claro? 

Ao decidir-se pelo dígito sete, apertou-o com veemência, e no exato momento que pressionou a tecla correspondente, de forma irreversível, lembrou-se que o último dígito era um número primo. CLICK... 

Retirando o romantismo dessa (his)estória, seria possível um caso real em que os imprudentes pilotos sairiam da cabine e experimentassem tal situação? O que você acha?

FICÇÃO ou REALIDADE? É árdua a tarefa e tentativa de discernir se o professor KALAZANS traz fatos reais ou ficção em seus textos. A resposta não deriva de uma simples crença, mas muito mais do que isso; o resultado está ligado ao conhecimento, à honestidade e hombridade daqueles que conhecem profundamente a atividade aérea.  Embora haja profissionais corretos e honestos na atividade aérea, afirmamos também que é uma área repleta de hipocrisia e corrupção. É verdade também que muitos ficam furiosos por meus textos. Esta fúria pode ser resultado de alguma “realidade” em minhas “(es)histórias”? Só ficam desconcertados aqueles que, de alguma forma, se encaixam “realmente” em nossas “ficções”. FICÇÃO ou REALIDADE? Se você é profissional da aviação, eu tenho certeza de que você tem certeza do que se trata.

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